Artista Selecionados

Céline Tuloup

A instalação “Wanderings” inclui quatro lonas (“A grande travessia”) bordadas com cenas marítimas. São barcos que vão desde a frágil jangada até o grande e imponente de três mastros. Eles parecem navegar sem nenhum propósito aparente. Várias eras se cruzam no mesmo plano. Os bordados, realizados a partir de gravuras antigas ou fotografias contemporâneas, mantêm o estilo de representação das épocas que os originaram. Assim, encontramos cenas marítimas da Idade Média ou do Renascimento ao lado dos barcos de migrantes que emergiram de nossa era contemporânea. Os barcos tocam-se levemente, à passagem sem nunca parecer que se encontram.
Estas cenas marítimas são bordadas em branco como a espuma do mar representada pela folha de plástico azul.
Surgem como vestígios deixados ao longo de nossa história. O mar é aqui entendido como espaço de memória dessas travessias. É um lugar de passagem onde diferentes histórias se cruzam. A precariedade dos materiais evidencia a fragilidade dessas embarcações. O mar foi e continua a ser um espaço perigoso onde os homens arriscam as suas vidas e onde se desenrolam tragédias. Estas cenas marítimas surgem como reminiscências. Barcos, como fantasmas, vagueiam pelos oceanos sem objetivo específico, a terra prometida estando aqui ausente.

The “Wanderings” installation includes four tarpaulins (“The great crossing”) embroidered with maritime scenes. These are boats, ranging from the fragile raft to the large, towering three-mast. They seem to be sailing for no apparent purpose. Several eras intersect on the same plane. The embroideries, created from old engravings or contemporary photographs, retain the style of representation of the periods from which they originate. We thus find maritime scenes from the Middle Ages or the Renaissance alongside the boats of migrants that emerged from our contemporary era. The boats brush against each other without ever seeming to meet.
These maritime scenes are embroidered in white like the foam on the sea represented by the blue plastic sheeting. They appear as traces left throughout our history. The sea is here understood as a memory space for these crossings. It is a place of passage where different stories intersect. The precariousness of the materials underlines the fragility of these boats. The sea has been and remains a dangerous space where men risk their lives, and where tragedies are played out. These maritime scenes appear as reminiscences. Boats, like ghosts, wander across oceans with no specific goal, the promised land here being absent.

Céline Tuloup

França / France

n.1980, Vichy, França.
Mestre 2 em Belas Artes pela universidade Paris 8, 2007. DEUG em psicologia pela universidade Lumière Lyon 2, 1999. Vive em Saint-Denis, França.

b.1980, Vichy, France.
Master 2 of fine arts at the university Paris 8, 2007. DEUG of psychology at the university Lumière Lyon 2,1999. Lives in Saint-Denis, France.