Emergências

António Arroio

LUGARES DE MEMÓRIA
– MANIFESTO DE UM ESTADO DE EXCEÇÃO E DE SUSPENSÃO

Assumimos a interrupção abrupta que este estado de exceção impôs nas nossas vidas. Convocamos o suspenso e a tentativa de continuidade remediada, à distância. Avocamos também a memória do que ficou inacabado, tingido, estampado, tecido e, sobretudo, não tentamos acabar o que não pode ser acabado na expectativa de apre(e)nder outro algo. Através do Têxtil, em casa e com métodos não convencionais, aproveitamos esta oportunidade para reinventar, construir e apropriamo-nos de outros lugares que, muitas vezes, não são físicos mas nem por isso são menos memória.
Aceitámos o trabalho com estas condicionantes, como numa equação de espaço e tempo, entre o que já aconteceu, o presente – esse fugaz instante – e o que está por vir. Vislumbrámos os cenários inacabados como lugares potentes de memória: memória do que se fez, do que se podia ter feito, do que se poderá vir a fazer. Percebemos, também, que um lugar de memória é passível de ser tão nosso quanto o foi de Outro e tão de Outro quanto nosso.
Aqui, o Têxtil como memória de um gesto, de uma ação, de uma vontade, de uma emoção e de um sentimento. É a partir do Têxtil que sentimos, que pensamos e que criamos a potencialidade de Outros habitarem, também, o que foi nosso.

Andreia Sá

PLACES OF MEMORY – MANIFESTO OF A STATE OF EXCEPTION AND SUSPENSION

We assume the abrupt interruption that this state of exception has imposed on our lives.
We summoned the suspended and the attempted remedied continuity, from a distance. We also evoke the memory of what was unfinished, dyed, printed, woven and, above all, we do not try to finish what cannot be finished in the expectation to learn/apprehend another something. Through Textile, at home and with unconventional methods, we take this opportunity to reinvent, build and take ownership of other places that, often, are not physical but are not, even so, less memory.
We accepted the work with these conditionings, as in an equation of space and time, between what has already happened, the present – that fleeting instant – and what is to come. We glimpsed the unfinished scenarios as potent places of memory: memory of what was done, of what could have been done, of what yet can be done.
We understood, as well, that a place of memory is as likely to be ours as it was of Others, and of Others as much as ours.
Here, Textile as a memory of a gesture, an action, a will, an emotion and a sentiment. It is from Textile that we feel, that we think and that we create the potential of Others to inhabit, also, what was ours.

Andreia Sá

António Arroio

Lisboa