Emergências

FBAUL

A unidade curricular de Tapeçaria está integrada na licenciatura em Pintura da Faculdade de Belas-Artes da U. de Lisboa, em que os alunos e o professor Doutor Hugo Ferrão exercitam estratégias artísticas, práticas, testagens, experimentações, técnicas e tecnologias no âmbito da Tapeçaria Contemporânea, da Fiber Art e da Textil Art, que materializam o conceito de “ArtLab”, potenciador dos “lugares da memória”. A cartografia do imaginário deste jovens, que se querem artistas, é feita na construção desses “lugares de existência”, onde se cruzam memórias e esquecimento, evocando constantemente os sentidos/sentires estéticos revelados nas vivências que permitem abrir vastos horizontes plásticos. Inevitavelmente, no actual contexto, fomos todos expostos a uma situação catastrófica em muitas dimensões, iniciada em Março com a pandemia “COVID-19”, em que a palavra “crise”, com a qual convivemos à largos anos em permanentes estados de excepção em democracia, ganhou nova aura, desta vez a de um vírus, cuja indeterminação e transitoriedade, multiplica estatísticas de invisibilidade.

Estes jovens estudantes que expõem as sua obras (Aline Welmer, Ânia Pais, Bárbara Braz, Carlota Bóia Neto, Catarina Mil-Homens, Daniela Landeiro, Joana Batista, Liliana Ferreira, Maria Madeira, Maria Marcos, Margarida Rodrigues, Soraia Cortez) fazem-no porque souberam resistir a todas as perplexidades dos horizontes do possível, sempre acompanhados pela inevitabilidade dos cenários ameaçadores com os quais temos de aprender a viver, às aulas por Zoom/Colibri, às cascatas de e-mails, aos telefonemas infindáveis, às “adequações acidentais”, ao teletrabalho, ao desemprego, às imensas incertezas imprevisíveis de ter a obrigatoriedade de nos convertermos naquilo que não sabemos. A presença de futuro nestas obras celebra a resistência a um “mundo sem pensamento”, a estes “encadeamentos catastróficos” (Daniel Innerrarity), e negam o desaparecimento da fundação da sua própria história enquanto acontecimento (Martin Heidegger) impresso nas memórias vivenciadas na Contextile 2020. Não podemos deixar de expressar a nossa admiração e apoio ao Joaquim Pinheiro e à Conceição Rios, bem como a toda a sua equipa, pela dedicação e empenho, na continuidade de um projecto tão significativo e com dimensão internacional como é a Contextile, num tempo de mumificação.

Hugo Ferrão

The Tapestry curricular unit is integrated in the Graduation degree in Painting of the Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa in which students and Professor Doctor Hugo Ferrão exercise artistic strategies, practices, tests, experiments, techniques and technologies in the context of Contemporary Tapestry, Fiber Art and Textile Art, which materialize the concept of «ArtLab», potentiator of the “places of memory”. The cartography of the imaginary of these young people, who want to be artists, is made in the construction of these “places of existence”, where memories and forgetfulness intersect, constantly evoking the aesthetic senses / feelings revealed in the experiences that allow to open wide artistic horizons. Inevitably, in the current context, we were all exposed to a catastrophic situation in many dimensions, initiated in March with the pandemic “COVID-19”, in which the word “crisis”, with which we lived for many years in permanent states of exception in democracy, gained a new aura, this time that of a virus, whose indeterminacy and transience, multiplies statistics of invisibility.
These young students who exhibit their works (Aline Welmer, Ânia Pais, Bárbara Braz, Carlota Bóia Neto, Catarina Mil-Homens, Daniela Landeiro, Joana Batista, Liliana Ferreira, Maria Madeira, Maria Marcos, Margarida Rodrigues, Soraia Cortez) are doing it because they knew how to resist to all the perplexities of the horizons of the possible, always accompanied by the inevitability of the threatening scenarios with which we must learn to live, to the Zoom / Colibri classes, cascading emails, endless phone calls, the «accidental adjustments», to teleworking, unemployment, the immense unpredictable uncertainties of having to convert ourselves in what we don’t know. The presence of future in these works celebrates the resistance to a “world without thought”, to these “catastrophic enchainment” (Daniel Innerrarity), and denies the disappearance of the foundation of its own history as an event (Martin Heidegger) imprinted in the memories experienced in Contextile 2020. We cannot fail to express our admiration and support to Joaquim Pinheiro and Conceição Rios, as well as to the entire team, for their dedication and commitment, in the continuity of a project as significant and with an international dimension as Contextile is, in a time of mummification.

Hugo Ferrão

FBAUL

Lisboa