Biennale Internationale du Lin de Portneuf

Mylene Boisvert

TRACING PLACES
A inspiração vem da memória de um antigo jardim próximo. Tinha uma variedade de plantas, incluindo as minhas favoritas, os fetos. Gostava muito de contemplar o seu crescimento assim que a primavera chegava.
Lugares de memória traz-me de volta à ideia desses fetos dentro da geografia urbana e social da época em que morei perto delas. É ao relembrar a sua presença neste jardim, aos meus olhos, um lugar raro e poético, que penso na residência criativa. Através do uso do papel de linho, exploro as noções de vínculos culturais e sociais ligados a esses lugares que já foram habitados e o impulso criativo que despertam quando os imaginamos novamente.
A obra de arte no chão do Convento de Santo António dos Capuchos representa a topologia deste jardim segundo a minha memória. O motivo principal evoca fetos. O seu desenho ecoa várias técnicas têxteis, como o design têxtil, a tecelagem, as rendas e bordados, sem, no entanto, colocá-los fielmente em prática.
Estou interessada no lugar dominante da botânica na história dos têxteis. As plantas estão presentes como padrões, materiais, tintas, revestimentos e às vezes até ferramentas. Neste sentido, a criação da obra de arte é uma oportunidade única de explorar os bordados de Guimarães, cujos motivos bordados a fio vermelho representam as plantas outrora contempladas na terra onde esta técnica foi desenvolvida.
A pandemia está também a impactar a experiência criativa da residência em casa, no Quebec. Convidei as bordadeiras de Guimarães a participarem virtualmente na obra propondo três ideias. O primeiro consistia em interpretar através do bordado alguns desenhos de fetos que fiz no meu jardim. A segunda era desenhar uma planta do seu jardim que eu também pudesse interpretar. O último foi partilhar por escrito um aspecto da sua paixão por esta técnica tradicional que elas preservam e pela qual eu teria gostado de estar na sua presença para apreciá-la plenamente.
Nestes tempos, em que todos estão seguros em casa, de alguma forma nos demos ao trabalho de contemplar as plantas que nos rodeiam e imaginar as que vivem perto umas das outras.
A partir deste exercício, teve lugar uma correspondência baseada no know-how e na criação têxtil.

TRACING PLACES
The inspiration comes from the memory of an old nearby garden. It had a variety of plants, including my favourites, the ferns. I really enjoyed contemplating their growth as soon as spring came.
Places of Memory brings me back to the idea of these ferns within the urban and social geography of the time when I lived near them. It is by recalling their presence in this garden, a rare and poetic place in my eyes, that I address the creative residency. Through the use of linen paper, I explore the notions of cultural and social links attached to these places that were once inhabited and the creative impulse they arouse when one imagines them again.
The artwork on the floor of the Convento de Santo António dos Capuchos represents the topology of this garden as I remember it. The main motif evokes ferns. Its design echoes various textile techniques, such as textile design, weaving, lace, and embroidery, without however faithfully putting them into practice.
I am interested in the commanding place of botany in the history of textiles. Plants are present as patterns, materials, dyes, coatings and sometimes even tools. In this sense, the creation of the artwork is a unique opportunity to explore the embroideries of Guimarães, whose red thread embroidered motifs represent the plants once contemplated on the land where this technique was developed.
The pandemic is also impacting the creative residency experience at home in Quebec. I invited the Guimarães embroiderers to participate virtually in the artwork by proposing three ideas. The first one consisted in interpreting through embroidery some fern designs that I drew from my garden. The second was to draw a plant from their garden that I could also interpret. The last one was to share through writing an aspect of their passion for this traditional technique which they preserve and for which I would have liked to be in their presence to fully appreciate it.
In these times, when everyone is safe at home, we have somehow taken the time to contemplate the plants that surround us and imagine those that live close to each other.
From this exercise, a correspondence-based on textile know-how and creation took place.

Mylene Boisvert

Canada/Canadá


Drummondville, Quebec, 1971. A artista vive e trabalha em Montreal, onde terminou os estudos em Artes Visuais na Concordia University e em Design Têxtil no Centre design et impression textile (CDIT). Ela tem vários anos de experiência como designer têxtil para a indústria de malha e como professora no CDIT. Seus trabalhos foram expostos em várias exposições individuais e coletivas no Quebec, Ontário, Buenos Aires, Paris e Tournai. Recebeu várias vezes do Conseil des Arts et des Lettres du Québec e do Canada Council for the Arts, vários prémios e uma menção honrosa na Fibreworks 2014, uma exposição bienal canadiana de trabalhos em fibras, com júri.


Drummondville, Quebec, 1971. The artist lives and works in Montreal where she completed training in Visual Arts at Concordia University and in Textile Design at the Centre design et impression textile (CDIT). She has several years of experience as a textile designer for the knitting industry and as a teacher at the CDIT. Her works were shown in several solo and group exhibitions in Quebec, Ontario, Buenos Aires, Paris and Tournai. Several times recipient from the Conseil des arts et des lettres du Québec and Canada Council for the Arts, she was also awarded numerous prizes and she earned an honourable mention at Fibreworks 2014, a biennial Canadian fibre work juried exhibition.