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Susana Nogueira

Detritos do tempo I was born of a piece of wood collected on the beach. A debris impregnated with time and memory. Where has it been, who touched it, who rested under its tree? From debris, by the attention I pay it, it became an object. In itself carries time, fragility and strength: the time (how long?) of growth in a tree, of travel by rivers and seas, until it is collected on the beach; the marked frailty in its degraded appearance; the strength to resist until today.
This strength / fragility binomial is reinforced by the technique used in the construction of this landscape.
The sound surrounds us and sends us to the rhythm, to the repetition of tasks, to the wandering of time, present in the work with the thread, to the land and to the sea.
Detritos do tempo II recreates a time / space that no longer exists, in an almost archaeological attitude towards the textile industry in Portugal and its economic and social importance to our country, particularly in the north.
The sound that accompanies the exhibited objects takes us to the rhythmic work of the loom and to the work songs, a strong cultural heritage that is being lost, as we are more and more receivers than interpreters.

Detritos do tempo I nasce de um pedaço de madeira recolhido na praia. Um detrito impregnado de tempo e memória. Onde esteve, quem lhe tocou, quem descansou sob a sua árvore? De detrito, pela atenção que lhe dou, passou a objeto. Em si carrega o tempo, a fragilidade e a força: o tempo (quanto tempo?) de crescimento numa árvore, de viagem por rios e mares, até ser recolhido na praia; a fragilidade marcada na sua aparência degradada; a força de resistir até hoje.
Este binómio força/fragilidade é reforçado pela técnica utilizada na construção desta paisagem.
O som envolve-nos e remete-nos para o ritmo, para a repetição das tarefas, para o vagar do tempo, presente no trabalho com o fio, para a terra e para
o mar.
Detritos do tempo II recria um tempo/espaço que já não existe, numa atitude quase arqueológica relativa à indústria têxtil em Portugal e à sua importância económica e social para o nosso país, particularmente no norte.
O som que acompanha os objetos expostos remete-nos para o lavor ritmado do tear e para as canções de trabalho, uma forte herança cultural que se tem vindo a perder, pois somos cada vez mais recetores do que intérpretes.

Susana Nogueira

Portugal


b.1972, Vila do Conde, Portugal.
Special Cycle of the Visual Arts Course – Sculpture, FBAUP, 1996/97. Lives in Porto, Portugal.


n.1972, Vila do Conde, Portugal.
Ciclo Especial do Curso de Artes Plásticas – Escultura, FBAUP, 1996/97. Vive no Porto, Portugal.